O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vetou R$ 66,4 milhões em crédito rural para produtores de Santa Catarina por indícios de desmatamento ilegal entre fevereiro de 2023 e abril de 2026. A medida foi tomada após o cruzamento de dados com satélites apontar irregularidades em 628 propriedades catarinenses.
É o que revela o balanço divulgado neste Dia do Meio Ambiente (5). Em Santa Catarina, foram identificados 628 alertas ativos de indícios de desmatamento ilegal, o equivalente a 0,7% do número de solicitações de crédito feitas no período.
Em todo o país, o montante de financiamentos bloqueados atingiu R$ 1,1 bilhão no período. O monitoramento identificou 5.592 alertas ativos de desmatamento irregular em 551,7 mil pedidos enviados à instituição, gerando uma média de R$ 1 milhão em créditos negados por dia.
As regiões Norte e Nordeste lideraram o percentual de recursos barrados, ambos com 1,7% do total de intenções de financiamento recusadas. O Nordeste também registrou a maior taxa de alertas ativos, atingindo 3% das mais de 13,6 mil propostas de crédito agrícola enviadas.
Por outro lado, o Sudeste apresentou os indicadores mais baixos de irregularidade. O banco bloqueou 0,5% do volume de crédito solicitado na região, com alertas de desmatamento em 0,4% dos pedidos. O Centro-Oeste teve 0,7% do montante travado e o Sul somou 0,8% de recursos vetados.
A fiscalização é feita por meio de uma parceria tecnológica entre o banco estatal e a plataforma MapBiomas. O sistema barra automaticamente a liberação de dinheiro para fazendas que tenham desmatamento ativo sem autorização dos órgãos ambientais ou que possuam embargos registrados pelo Ibama.
As regras internas do banco exigem a regularidade ambiental de todas as posses do produtor, mesmo aquelas que não vão receber o investimento direto. O critério é mais rígido que as exigências do Banco Central do Brasil, que proíbe o crédito apenas se a infração ocorrer na área financiada.
