Em um balanço estratégico sobre as metas climáticas e a preservação ambiental do país, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que as ações estruturadas de fiscalização ambiental geraram resultados históricos. De acordo com o chefe da pasta, entre julho de 2025 e julho, os avanços no combate ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado evitaram que o Brasil lançasse na atmosfera uma quantidade de gases de efeito estufa equivalente a todas as emissões anuais do Japão.
Os dados apresentados integram o relatório oficial do Projeto de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O balanço consolidou uma queda recorde de 41,8% no desmatamento da Amazônia — atingindo o menor índice de destruição mapeado desde 1988 — e uma retração de 23,8% no Cerrado. Pela primeira vez na série histórica recente, houve recuo nos índices de degradação vegetal em todos os seis biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa).
“Não haverá fumaça suficiente para encobrir esse resultado excepcional que a sociedade brasileira conseguiu”, declarou o ministro Capobianco durante entrevista ao programa Bom Dia Ministro, da EBC, contrapondo os dados históricos com a recente crise de queimadas na Região Norte.
Operação de emergência no Pará e indícios de crime ambiental
Apesar dos índices positivos de preservação florestal acumulados no ano, o Ministério do Meio Ambiente atua no combate a uma onda severa de incêndios florestais concentrada na divisa entre o Amazonas e o Pará. Diante do cenário complexo na região oeste paraense, a Casa Civil da Presidência da República convocou uma sala de situação emergencial exclusiva para coordenar as ações de campo. Até o momento, as forças integradas de segurança já extinguiram 361 grandes incêndios na região.
Paralelamente ao combate ao fogo, uma força-tarefa composta pela Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e agências locais investiga a origem dos focos de calor. O ministro Capobianco apontou fortes indícios de ação humana coordenada com o calendário político do país: os focos multiplicaram-se de forma exponencial logo após o encerramento do primeiro turno das eleições. Onze suspeitos de provocar queimadas criminosas já foram presos pela Polícia Militar no município de Autazes (AM), e os responsáveis podem pegar penas de até quatro anos de reclusão.
