A tecnologia e o protagonismo jovem estão transformando a realidade do campo no Nordeste brasileiro. Pelo segundo ano consecutivo, estudantes do Centro Estadual de Tempo Integral (Ceti) Lucas Meireles Alves, localizado no assentamento 17 de Abril, ganharam destaque na cena de inovação do Piauí. O grupo acaba de ser classificado na primeira etapa do programa governamental “Do Piauí para o Mundo” com o projeto inovador “Ecopi: Inteligência Geoespacial a serviço da sucessão rural”.
Orientados pelo professor de Desenvolvimento de Sistemas, Sávio Rodrigues, os alunos desenvolveram um protótipo de aplicativo focado na certificação digital de mudas de plantas. A ferramenta utiliza dados de satélites públicos para rastrear informações cruciais como origem, espécie, local de plantio e a evolução do crescimento de cada planta.
Tecnologia contra o êxodo rural e a crise climática

O aplicativo Ecopi nasceu para apoiar o viveiro coletivo criado recentemente no próprio assentamento. Essa união entre a escola e a comunidade foca na produção de espécies nativas do semiárido e de outras regiões do país. Mais do que um exercício escolar, o projeto resolve demandas reais e urgentes da comunidade local.
Com a certificação digital via satélite, os jovens ampliam a confiabilidade e o valor de mercado da produção de mudas. O reflexo disso é a geração de renda diretamente no campo, apresentando uma alternativa econômica viável para que as novas gerações permaneçam no assentamento. Além do impacto financeiro positivo, o monitoramento apoia ações de reflorestamento, combatendo de forma prática os efeitos das mudanças climáticas.
Histórico de sucesso e conexões globais
Essa vocação para o empreendedorismo tecnológico já colheu frutos globais. Na edição anterior da competição (então chamada de Seduckathon), o Ceti Lucas Meireles Alves conquistou o topo do pódio com a plataforma digital Raízes Conectadas. O site aproximou pequenos produtores de mercados locais e escolas públicas — cumprindo a meta legal de destinar 30% da merenda escolar à agricultura familiar.
Aquela conquista garantiu aos estudantes uma viagem de intercâmbio tecnológico para Singapura, realizada em janeiro de 2026. A experiência internacional transformou a visão de mundo dos participantes e serviu de combustível para que a nova equipe seguisse o mesmo caminho de excelência e inovação.
Rumo às próximas fases do programa
O projeto atual segue firme na disputa. Nos próximos dois meses, os estudantes passarão por novas etapas de avaliação do programa “Do Piauí para o Mundo”, que substitui o formato anterior e expande as chances de intercâmbios nacionais e internacionais. A próxima barreira será a defesa da viabilidade técnica da proposta diante de uma banca de especialistas.
Com criatividade e consciência social, os estudantes piauienses mostram que as soluções para o futuro do planeta e da economia rural podem nascer de dentro de uma sala de aula da rede pública de ensino.
