O longa-metragem brasileiro “O Deserto de Luiza”, dirigido pelo cineasta Alan Minas, foi selecionado para a Competição Oficial do 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China. A produção disputará o Golden Goblet, o prêmio principal do evento, marcando o retorno do diretor à ficção após dez anos do lançamento de “A Família Dionti”. O filme é ambientado no subúrbio contemporâneo do Rio de Janeiro e aborda temas como o amadurecimento juvenil, o afeto e os impactos dos transtornos mentais no ambiente familiar.

A narrativa acompanha a trajetória de Luiza, uma jovem de 15 anos interpretada pela atriz Nina Prado, que precisa lidar com as descobertas da juventude e com o primeiro amor enquanto enfrenta o colapso emocional provocado pela doença mental de sua mãe. De acordo com a produtora Daniela Vitorino, o enredo retrata o momento em que o ato de crescer deixa de ser uma escolha e passa a ser uma urgência institucional para a autonomia da protagonista. O projeto foi estruturado pela Caraminhola Filmes em regime de coprodução internacional com a agência pública Riofilme e com a empresa britânica Union Content.
O diretor Alan Minas, nascido no Rio de Janeiro em 1969, possui formação em cinema e roteiro pela Universidade Estácio de Sá. O profissional iniciou sua carreira na direção de curtas-metragens no início dos anos 2000, além de assinar documentários como “A Morte Inventada – Alienação Parental”, de 2009. Sua estreia em longas de ficção ocorreu em 2015 com “A Família Dionti”, trabalho premiado pelo público no FESTin Lisboa Film Festival e exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
A distribuidora independente Vitrine Filmes será a responsável pelo lançamento da obra no mercado brasileiro. A empresa atua há 15 anos no setor de distribuição audiovisual na América Latina e acumula em seu catálogo produções de repercussão internacional, como “Bacurau” e o vencedor do Oscar “Druk – Mais Uma Rodada”. Em 2025, a distribuidora também levou aos cinemas o longa “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, premiado no Festival de Cannes e vencedor de duas categorias no Globo de Ouro.
A participação da obra em Xangai ocorre em meio às celebrações do Ano Cultural Brasil-China de 2026, iniciativa diplomática que visa ampliar o intercâmbio de bens simbólicos e produções artísticas entre as duas nações. O festival chinês, fundado em 1993, configura-se como a única mostra competitiva de cinema do país asiático aprovada pela Federação Internacional de Associações de Produtores de Filmes. A inserção do título na principal categoria do evento reforça o potencial de exportação das técnicas e dos métodos do audiovisual brasileiro para mercados globais.
