O Instituto Tomie Ohtake, na zona oeste de São Paulo, recebe a exposição coletiva do movimento indígena Escolas Vivas. A mostra, que tem entrada gratuita e fica em cartaz até o dia 9 de agosto de 2026, apresenta registros, práticas pedagógicas e experiências artísticas de transmissão de saberes tradicionais. As obras foram construídas a partir da vivência dos povos Guarani Mbya, Baniwa, Huni Kuin, Maxakali e Tukano-Desana-Tuyuka.
O projeto expõe trabalhos gerados em oficinas territoriais e na residência Casa Escola Viva, realizada no final de 2025 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Entre os destaques estão a instalação de fibras de tucum “O umbigo do mundo”, feita por mulheres Baniwa, e os grafismos tradicionais (kenes) do povo Huni Kuĩ. O público também pode visitar a instalação de mastros rituais (mīmãnãns) dos Maxakali, o espaço “Pytü, o Escuro” dos Guarani Mbya e uma farmácia amazônica com plantas medicinais Tukano, Desana e Tuyuka.
A curadoria é da filósofa e educadora Cristine Takuá. A proposta do movimento Escolas Vivas é contrapor o modelo educacional clássico e valorizar a ancestralidade, a espiritualidade e a territorialidade como eixos de ensino. Um dos núcleos da exposição é dedicado exclusivamente aos pensamentos de lideranças e artistas mais velhos, exibindo obras de Ailton Krenak, Ehuana Yanomami, Tõrãmu Kẽhíri (Luiz Lana) e Moisés Piyãko.
A mostra é uma correalização do instituto paulista com a Associação Selvagem, contando com o apoio direto dos coordenadores das Escolas Vivas. O conjunto de obras propõe um debate sobre a reformulação dos currículos escolares urbanos e o fortalecimento da consciência ecológica na sociedade brasileira contemporânea.
