A Biblioteca Nacional Digital disponibilizou o acervo completo das edições regionais de O Pasquim, publicadas nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul a partir de 1986. A iniciativa marca os 40 anos de lançamento dessas versões locais do célebre tabloide de contracultura. Ao todo, 114 novas edições foram digitalizadas e somadas às 1.072 publicações originais do Rio de Janeiro que já integravam a plataforma pública. [1, 2]
As franquias regionais surgiram no contexto da abertura política e do fim da ditadura militar, sob a liderança dos jornalistas Paulo Markun, em São Paulo, e Flávio Braga, no Rio Grande do Sul. O projeto gráfico e editorial manteve a irreverência, as sátiras políticas e as charges características da matriz carioca. As edições contaram com a colaboração de nomes expressivos da arte e da comunicação, como Laerte, Jô Soares, Augusto Nunes, Edgard Vasquez e Santiago.
O trabalho de recuperação e digitalização foi coordenado de forma voluntária pelo pesquisador Fernando Coelho dos Santos, em cooperação técnica com a Biblioteca Nacional. O processo reuniu 98% de todo o material rodado pelas sucursais de curta duração, restando apenas dois números não localizados. Os arquivos históricos revelam debates locais da época, críticas a figuras políticas como Paulo Maluf e o retrato dos movimentos comportamentais dos anos 1980. [1]
A consulta pública e gratuita aos documentos históricos do semanário alternativo pode ser feita diretamente no portal da instituição. O lançamento ocorre em paralelo a decisões jurídicas recentes do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), que validaram a regularização de repasses e a obrigatoriedade de transparência em projetos independentes de preservação da memória da mesma obra.

