O mercado de ecoturismo e turismo sustentável registra um aumento na procura por roteiros alternativos ao turismo de massa em junho de 2026. Dados do 10º Relatório de Viagens e Sustentabilidade da plataforma Booking.com apontam que 98% dos turistas brasileiros pretendem realizar viagens com práticas de preservação, um avanço em relação a 2016, quando o índice era de 56%.
A mudança no perfil do consumidor direciona o fluxo de famílias para áreas de conservação ambiental e reservas naturais durante o recesso escolar. O interesse crescente abrange atividades imersivas de baixa movimentação, focadas em trilhas de longo curso, oficinas de artesanato regional e vivências integradas com comunidades tradicionais e povos originários.
O setor opera com maior demanda nas regiões Norte e Centro-Oeste devido às condições climáticas favoráveis para observação de fauna no período de seca. Em locais administrados pela operadora Vivalá, o fomento à economia local ocorre pela contratação de condutores comunitários na Chapada dos Guimarães e de guias em terras indígenas Shanenawa, no Acre.
“Sempre organizei viagens por conta própria, como normalmente faço, principalmente em ambientes de praia. Esse é o primeiro ponto. Para mim, viagem sempre vai ter que ter natureza. O nosso Brasil é muito lindo, então tem um monte de lugares que eu quero conseguir visitar. Fui para o Pantanal (MT) com a minha mãe e foi uma combinação de itens, como o contato com a natureza, um lugar que a gente possa se conectar com o privilégio que é ser brasileiro e também algo que pudesse estar dentro das possibilidades da minha mãe, que apesar de ser uma pessoa extremamente ativa, está com 68 anos”, destaca a viajante e diretora comercial Thaisa de Albuquerque Sá.

A maior planície alagável do mundo foi escolhida por mãe e filha para ser o destino de férias e, apesar de não ter sido a primeira experiência com o turismo sustentável, marcou uma nova fase para Andrea de Albuquerque Sá. “Depois da pandemia eu passo a ver os roteiros de outra forma. Procuro conexão cultural e com a natureza e a minha vontade é, cada vez mais, poder oferecer isso para a minha mãe. Ela gostou tanto do Pantanal que depois se deu de presente de aniversário e foi sozinha. Achei muito legal e inédito ela fazer uma viagem sozinha com um grupo que formou durante a experiência”.
Thaíssa já visitou alguns destinos com a Vivalá – Turismo Sustentável no Brasil, e destaca que os guias locais sempre são o ponto alto da experiência. Durante uma das expedições, ela foi impactada emocionalmente pela guia descendente indígena, que contou sobre sua experiência com a caverna que visitavam. Em outra ocasião, ela se emocionou com a história das bordadeiras da Chapada dos Guimarães (MT), ou ainda com a própria mãe, que apesar de morar no Rio de Janeiro, não frequenta praias, mas durante a expedição mergulhou em cachoeiras de água gelada.
Para algumas famílias, viajar também significa desacelerar e buscar experiências mais silenciosas, imersivas e distantes do turismo de massa. A escolha por destinos menos movimentados e em maior contato com a natureza tem se tornado um diferencial para quem deseja aproveitar as férias escolares de forma mais tranquila e significativa, como é o caso de Ruri Giannini. A engenheira de produção viaja com os filhos gêmeos Isaac e Ruth, de 15 anos. “Eu não gosto de coisas cheias, sou do dia, não sou da noite. Gosto de silêncio, de trekking em mato e trilha. Geralmente, acho que quanto mais a gente se esforça para chegar, maior a probabilidade de chegar no lugar e não ter ninguém, além de serem lugares que estão mais preservados”.
A busca por destinos mais sustentáveis também está diretamente ligada ao desejo de proporcionar experiências diferentes para os filhos. “Eu gosto de levá-los para roteiros diferentes, para experiências que depois não vão ser tão fáceis de repetir. Acho especial”. Durante as viagens, as atividades em contato com comunidades locais sempre são marcantes. “Além de conversar com as pessoas, colocamos a mão na massa. Já fizemos oficina de argila, observamos a produção do chocolate, tomamos banho de argila, banho de erva, fizemos artesanato com planta e miçanga”.
Ruri sempre busca viajar em períodos menos movimentados, mas durante feriados, como o Carnaval, opta por lugares ainda mais afastados e em meio à natureza. Para ela, estar com grupos menores também favorece a experiência e favorece as conexões mais profundas entre os participantes. “Quando buscamos um turismo diferente do convencional, tem mais sentido a gente ter pessoas alinhadas politicamente com a gente, principalmente ao olhar para a preservação, para o meio ambiente, para o lado social e para o lado de conservação das comunidades originárias”.
Em uma das expedições para a Aldeia Shanenawa, no Acre, a engenheira e seus filhos conheceram uma pessoa com a qual mantém contato até hoje. “Uma das pessoas mais próximas que eu tenho na vida hoje, inclusive com as crianças, é o João, que conhecemos na expedição. Hoje ele é uma pessoa que eu vejo toda semana, então foi muito marcante conhecê-lo em uma dessas viagens”.
O segmento de turismo de natureza atrai viajantes interessados em dinâmicas de inovação social e preservação de patrimônio imaterial longe dos grandes centros urbanos. A participação em processos tradicionais, como o manejo da argila e a produção artesanal de chocolate, serve como critério de escolha para roteiros de grupos reduzidos.
Os custos operacionais de logística e o tempo prolongado de deslocamento até reservas isoladas ainda restringem o acesso de parte dos turistas a esses ecossistemas. Empreendedores do setor tentam mitigar os entraves geográficos por meio da estruturação de pacotes de imersão de médio prazo que integram transporte e hospedagem comunitária.
As operadoras do segmento projetam a manutenção do fluxo de visitantes em áreas nativas e parques nacionais até o final do próximo trimestre. Os relatórios de impacto socioambiental das expedições servirão de base para o planejamento das novas rotas de conservação e fomento comunitário para o ciclo de férias seguinte.
Dicas de roteiros de natureza e aventura
- Pantanal (MT): considerado a maior planície alagável do mundo, o destino se destaca durante julho pelo avanço da estação seca, quando as áreas alagadas começam a reduzir e a fauna passa a se concentrar nas margens dos rios e baías permanentes. Com temperaturas médias entre 17°C e 30°C e baixos índices de chuva, o clima mais estável favorece safáris fotográficos, caminhadas, navegação e observação da vida selvagem no Pantanal, incluindo a onça-pintada, tornando o período especialmente estratégico para experiências em meio à natureza.
- Amazônia (Rio Negro): localizada no estado do Amazonas, a região do Rio Negro mantém o nível elevado das águas durante julho, período estratégico para deslocamentos fluviais e vivências em comunidades ribeirinhas. Com temperaturas médias entre 24°C e 31°C e redução gradual das chuvas, o destino favorece experiências de navegação, imersões culturais e exploração da floresta por vias fluviais.
- Ilha do Marajó (PA): localizada na foz do Rio Amazonas, a Ilha do Marajó começa a apresentar redução das chuvas durante julho, favorecendo deslocamentos e experiências em meio aos campos alagáveis da região. Com temperaturas médias entre 24°C e 31°C, o destino combina vivências culturais amazônicas, comunidades tradicionais e paisagens marcadas pela criação de búfalos, sendo procurado por viajantes que desejam conhecer a Amazônia para além dos roteiros convencionais.
- Lençóis Maranhenses (MA): localizado entre Barreirinhas, Atins e Santo Amaro, os Lençois vivem o auge da temporada das lagoas durante julho. Com temperaturas médias entre 26°C e 32°C e redução do volume de chuvas, o período mantém as lagoas cheias graças à água acumulada nos meses anteriores, criando o cenário característico de dunas brancas intercaladas por piscinas naturais cristalinas. O destino é procurado por viajantes interessados em travessias entre lagoas, fotografia de paisagem e experiências em um dos ecossistemas mais singulares do país.
- Jericoacoara (CE): durante julho, o clima seco, os ventos constantes e os dias ensolarados favorecem caminhadas pelas dunas, visitas às lagoas de águas cristalinas e a contemplação do pôr do sol. Com temperaturas médias entre 24°C e 31°C e baixos índices de chuva, Jericoacoara mantém lagoas cheias e a atmosfera rústica característica da vila, marcada pelas ruas de areia e forte identidade cultural. Além dos roteiros tradicionais, a região também oferece experiências de imersão cultural e contato com comunidades locais.
- Chapada dos Veadeiros (GO): além de ser uma das melhores épocas do ano para visitar a região, devido ao clima seco e às águas mais cristalinas, o destino reúne algumas das cachoeiras mais bonitas do Brasil. Entre os destaques está a famosa Cachoeira Santa Bárbara, conhecida pelo tom azul-turquesa de suas águas. O roteiro para a Chapada dos Veadeiros também proporciona vivências culturais em comunidades quilombolas, permitindo uma conexão mais profunda com a história e os modos de vida dos locais.
- Jalapão (TO): com dias ensolarados e pouca incidência de chuvas, julho é ideal para conhecer o Jalapão. Nos roteiros da Vivalá, os viajantes ficam hospedados dentro do parque, em uma comunidade quilombola, o que ajuda a minimizar um dos problemas mais frequentes do destino, o longo tempo de deslocamento entre as atrações. É possível acessar fervedouros e outros atrativos naturais em horários alternativos, aproveitando a natureza por mais tempo e com maior tranquilidade.
Etnoturismo em família
- Imersões em aldeias indígenas: as experiências em aldeias indígenas têm atraído famílias interessadas em vivências culturais mais profundas e contato com saberes tradicionais. Entre as opções com saídas previstas para julho estão imersões com os povos Shanenawa, no Acre; Kariri-Xocó, em Alagoas; e Haliti-Paresí, no Mato Grosso. Os roteiros incluem atividades conduzidas pelas próprias comunidades, como rodas de conversa, oficinas, trilhas e apresentações culturais.
Garanta suas férias
Todas as experiências citadas fazem parte dos roteiros operados pela Vivalá – Turismo Sustentável no Brasil. Os roteiros possuem opções para diferentes perfis de viajantes, incluindo viagens em grupo e experiências privativas. “Cada vez mais as pessoas procuram por viagens que possam ir além do turismo de massa e que realmente propiciem experiências autênticas, que inspirem e nos conectem à natureza preservada e a outras realidades. Julho é tradicionalmente o mês de férias escolares e, com isso, muitas famílias aproveitam para ter esse tipo de vivência, e nos procuram por conta da segurança, suporte e tranquilidade que garantimos desde a reserva até a volta pra casa”, destaca Daniel Cabrera, cofundador e diretor executivo da Vivalá.
Grande parte dos pacotes inclui cafés da manhã, almoço e jantar, seguro individual e de responsabilidade civil para todos os dias do roteiro, deslocamentos terrestres e fluviais para as atrações previstas no roteiro e acompanhamento de um representante da Vivalá durante toda a Expedição. As passagens aéreas não são inclusas, permitindo que cada viajante escolha o voo que melhor se adequa às suas necessidades em termos de origem, horário, escalas, milhas e companhia aérea de preferência. Há opções de experiências de um dia e próximas a grandes capitais brasileiras, com valores de investimento a partir de R$ 390. Mais informações sobre as expedições, clique aqui.
