Um expressivo movimento de união e valorização da identidade nacional tomou forma no cenário político e cultural do país. Coletivo composto por 100 dos mais importantes artistas, intelectuais, produtores e lideranças culturais de diversas regiões do Brasil lançou o manifesto intitulado “A cultura está com Lula e pede mudanças”. O documento declara um apoio enfático e entusiasmado à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, celebrando os avanços históricos de reconstrução institucional e de recomposição orçamentária conquistados no atual mandato. Ao mesmo tempo, o grupo apresenta propostas construtivas para impulsionar o setor a um patamar ainda mais estratégico e estruturante.
O manifesto é chancelado por nomes de projeção internacional e de múltiplas gerações. Entre os signatários estão cineastas premiados como Gabriel Mascaro, Laís Bodanzky, Juliano Dornelles, Joel Zito Araújo, Tata Amaral e Sérgio de Carvalho; o escritor Fernando Morais; a jornalista Tereza Cruvinel; a artista visual Rosana Paulino; os músicos Lirinha e Andre Abujamra; o ator Caio Blat; a escritora Luiza Romão; os coreógrafos Henrique Rodovalho e Sandro Borelli; o editor Sergio Cohn; e a liderança indígena Benki Ashaninka.
A Cultura além dos editais
O tom do documento é de colaboração com o projeto de desenvolvimento do governo federal. Os articuladores destacam que, com a base institucional já restabelecida por meio da recriação do Ministério da Cultura (MinC), o Brasil está pronto para dar um salto qualitativo e audacioso. O objetivo das propostas é fazer com que as políticas públicas avancem além do papel de gestoras de editais e passem a capitanear grandes metas nacionais nas autarquias parceiras, como a Ancine, o Iphan e a Funarte.
A intenção é expandir os resultados artísticos e sociais, transformando o investimento público em sustentabilidade financeira de longo prazo e trabalho digno para toda a cadeia produtiva, gerando um crescimento real no número de leitores e de público nos cinemas, shows e teatros do país.
Inovação, Soberana Digital e Nova Indústria
O manifesto posiciona de forma inovadora o ecossistema cultural no centro das grandes discussões geopolíticas e macroeconômicas modernas. O grupo propõe que indústrias criativas potentes — como o audiovisual, a música, a tecnologia e o setor editorial — sejam incluídas formalmente no plano de neoindustrialização e transição econômica do Brasil, gerando novas divisas e empregos qualificados.
Para garantir essa soberania, os cem signatários propõem uma postura governamental firme na regulação do mercado frente ao domínio das grandes corporações internacionais de tecnologia e plataformas de streaming (as big techs). Trata-se de um chamado otimista e propositivo para colocar o imenso patrimônio intelectual brasileiro como motor de inovação, orgulho e desenvolvimento socioeconômico para o futuro do país.
Signatários em destaque
Entre os nomes que subscrevem o documento em apoio à Lula estão expoentes de diferentes campos da cultura brasileira: a cineasta Tata Amaral, o escritor e jornalista Fernando Morais, autor de clássicos biográficos como Olga, Chatô e Lula, Volume 1; a produtora cultural e teatral Gabriela Gonçalves, diretora da Corpo Rastreado; o diretor teatral Antônio Araújo, fundador do seminal Teatro da Vertigem, curador da MITsp e professor da USP; o cineasta pernambucano Gabriel Mascaro, Urso de Prata em Berlim em 2025, premiado internacionalmente por obras como Boi Neon e Divino Amor; a artista visual e educadora Rosana Paulino, doutora pela USP com trajetória consagrada pelo debate sobre memória e ancestralidade negra, integrou o Pavilhão do Brasil na 61ª Bienal de Veneza de 2026 com a exposição inédita “Comigo Ninguém Pode“.
Somam-se a eles o ator Caio Blat, o poeta, cantor e compositor Lirinha (José Paes de Lira), consagrado como vocalista do Cordel do Fogo Encantado; o cantor, compositor, instrumentista, ator, cineasta e produtor musical brasileiro Andre Abujamra; a jornalista Tereza Cruvinel, analista política de Brasília e primeira presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC/TV Brasil); a cineasta Laís Bodanzky, diretora de títulos como Bicho de Sete Cabeças e ex-diretora-presidente da Spcine; o realizador acreano Sérgio de Carvalho, diretor de Noites Alienígenas, melhor filme em Gramado, e liderança na descentralização audiovisual para a Região Norte; o cineasta e roteirista Juliano Dornelles, correalizador do premiado longa Bacurau, prêmio do juri em Cannes; o diretor e pesquisador Joel Zito Araújo, pioneiro na denúncia da representação e exclusão negra nas telas com A Negação do Brasil; e a liderança indígena Benki Ashaninka, xamã e articulador ambiental internacional do povo Ashaninka do Rio Amônia, no Acre. Além de Luiza Romão, aclamada poeta, atriz e slammer brasileira que venceu o Prêmio Jabuti nas categorias de Poesia e Livro do Ano. O editor Sergio Cohn. Henrique Rodovalho é um dos mais originais e conceituados coreógrafos que alcançou projeção internacional à frente da icônica Quasar Cia de Dança. E Sandro Borelli, consagrado coreógrafo e bailarino.
Abaixo, segue a carta em apoio à Lula e o pedido de um novo rumo para a política de cultura. Carta completa com os 100 nomes da cultura e artes do Brasil.
