A 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em andamento no Rio de Janeiro, recebe nesta sexta-feira (24), às 17h30, a roda de conversa “Revista da Calçada – quando os invisíveis escrevem a cidade”. O encontro será realizado na Casa da Leitura e do Conhecimento e apresentará a primeira revista do país composta exclusivamente por poemas escritos por pessoas em situação de rua. O evento integra a programação paralela do festival, que segue com atividades até o próximo domingo, 26 de julho.
Produção editorial e oficinas poéticas
Lançada em fevereiro de 2026, a revista Da Calçada compila 46 textos desenvolvidos ao longo de 41 oficinas de poesia promovidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio (SMAS) em mais de 15 unidades de acolhimento. As atividades integraram 654 participantes e foram coordenadas pelo escritor Léo Motta, autor da trilogia Há Vida Depois das Marquises. O projeto literário é uma iniciativa conjunta do programa Super-Ação com a Imprensa Oficial da Cidade do Rio de Janeiro, órgão responsável pela impressão do volume.
Temáticas das obras e distribuição de exemplares
Os versos que compõem a publicação abordam memórias de exclusão urbana, vivências cotidianas nas ruas e perspectivas de reinserção social e familiar. Durante a mesa de debate na Flip, haverá leitura pública dos poemas e distribuição gratuita de exemplares da revista para os espectadores. O painel reunirá o coordenador Léo Motta e o presidente da Imprensa Oficial do município, Pedro Gerolimich, para detalhar os bastidores da criação coletiva.
Dores e sonhos
Os textos falam das vivências dolorosas de seus autores nas ruas. Nos versos, há desabafos, como no poema “Limite”, sobre um “coração arrebentado pelas mazelas do passado”. Mas acha-se também esperança, como em “Caminhada da Vida”, em que o poeta descreve sua fé no amanhã, em reconquistar sua família e “ser feliz por inteiro”.
– São pessoas que a gente tira da invisibilidade ao oferecer acolhimento, cuidado e também cultura. A revista dá voz a quem nunca teve voz, e as Oficinas Poéticas confirmam o potencial da arte participativa -, diz Motta. Gerolimich, autor do prefácio, escreve que o material é “rico em memórias de uma cidade que pulsa cultura, humanidade e novas esperanças”.
Iniciado em maio de 2025, o Super-Ação realiza atividades semanais nas quais oferece a acolhidos em unidades da SMAS oficinas de poesia e passeios a pontos turísticos e de produção cultural da cidade. O projeto deu origem ao Sarau Poético Marquises, formado exclusivamente por pessoas em situação de rua, e à revista Da Calçada.
