O jogador de futebol, médico formado e ativista político Sócrates ganha um retrato afetivo que reflete um dos personagens mais fascinantes da história recente do país, em Sócrates Brasileiro, série documental dirigida por Walter Salles. A 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo apresenta ao público os dois primeiros episódios em finalização da série em sessões na próxima sexta-feira, 23 de outubro. As duas exibições, que serão apresentadas por Walter Salles, acontecem no Espaço Petrobras de Cinema, uma na sala 2, iniciando às 17h45, e a outra na sala 3 do mesmo local, às 18h.
A série tem como ponto de partida o Brasil do ano de 1954. Que país era esse em que jovens pais autodidatas, ambos funcionários públicos, nomearam seu primeiro filho “Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira”? A partir deste questionamento, a produção percorre a trajetória de Sócrates e sua conexão profunda com a realidade social e política brasileira.
Os dois episódios em finalização que serão exibidos na programação da 50ª Mostra revelam a história do jogador até a criação da Democracia Corinthiana. O primeiro, intitulado “Raio de Ouro”, traz a infância e adolescência de Sócrates, indo de Belém a Ribeirão Preto, com raízes no Ceará, para falar da migração interna brasileira e do sonho de construção de um país livre no final dos anos 1950, interrompido pelo golpe de 1964. Na sequência, o segundo episódio, chamado “Ganhar ou Perder, Mas Sempre com Democracia”, apresenta a sua chegada ao Corinthians em 1978 e, a partir do encontro com Wladimir, Zé Maria, Casagrande e Zenon, traça a epopeia que levou ao movimento democrático dentro do clube paulista em plena ditadura civil-militar.
Nesta edição comemorativa de 50 anos da Mostra, o cineasta também participou assinando o prefácio de Antes Que Eu Me Esqueça: Um Ensaio de Lembranças para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, livro de memórias da diretora do evento Renata de Almeida, publicado pela editora Cosac, e na conversa com o realizador James Gray, após a entrega do Prêmio Leon Cakoff ao diretor estadunidense e a sessão de Tigre de Papel, na última quinta (15), na Sala Petrobras na Mostra.
Sócrates Brasileiro é apenas uma das produções da seção Mostra em Série, que apresenta ainda Coligay – A Torcida Impossível, de Paulo Machline, sobre a torcida gay do Grêmio criada na ditadura, Colônia – Segunda Temporada, de André Ristum, sobre os abusos no hospital psiquiátrico em Barbacena, Leve Chico, de Marianna Brennand, em que artistas reinterpretam as canções de Chico Buarque, além do restauro da minissérie A Casa no Bosque (1971), de Maurice Pialat, sobre uma vila francesa durante a Primeira Guerra Mundial.
