A Fundação Cultural Badesc abre na próxima quinta-feira, 25 de junho de 2026, a exposição inédita “Algo Sobre a Solidão”, da artista plástica e pesquisadora Elke Coelho. A programação ocorre no Espaço Fernando Beck, em Florianópolis, e inicia com uma roda de conversa com a autora, voltada a discutir os processos de produção manuais na arte contemporânea.
A mostra reúne cerca de 20 obras que abrangem objetos, pinturas em pastel oleoso e instalações de parede baseadas no conceito de repetição. A artista utiliza a acumulação de itens de uso cotidiano de pequeno porte — como alfinetes, cápsulas de comprimidos, recipientes de vidro e guardanapos de papel — para compor as estruturas visuais.
Os trabalhos expostos demandam técnicas de longa temporalidade para a montagem dos arranjos. Na obra intitulada “Ferida”, a autora organizou mais de 200 mil flores desidratadas do tipo sempre-viva dentro de 550 caixas de acrílico, em um processo que consumiu mais de cem horas de trabalho manual ao longo de oito meses.
A proposta artística contrapõe a velocidade das produções industriais modernas ao exigir um ritmo desacelerado de confecção. De acordo com a criadora do projeto, que atua como professora do Departamento de Arte Visual da Universidade Estadual de Londrina, a morosidade do trabalho artesanal funciona como uma crítica ao fluxo social contemporâneo.
“Experiências similares, em termos de artesania, se aplicam a maior parte dos meus trabalhos e essas práticas manuais demandam um tipo de temporalidade que vai na contramão do fluxo contemporâneo. Sendo a rapidez, desde a instalação do capitalismo, entendida enquanto qualidade, a morosidade torna-se, neste tipo de sociedade, uma debilidade”, compartilha.
Mostras individuais focadas em processos de alta complexidade manual dependem de editais de ocupação pública para custear a logística de transporte de acervos volumosos. A seleção do projeto via edital público de exposições visa descentralizar o acesso a pesquisas acadêmicas do Sul do país e oferecer programações gratuitas em centros históricos.
A visitação ao espaço da fundação permanece aberta ao público até o dia 13 de agosto de 2026 na Rua Visconde de Ouro Preto, número 216. O cronograma de funcionamento da galeria abrange de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e aos sábados no período da manhã, com entrada franca para todas as atividades.
