O Rio de Janeiro recebe, entre 22 e 24 de agosto, a primeira edição do Brasil Futures Forum (BFF), plataforma global de futuros e inteligência antecipatória criada para pensar, articular e posicionar futuros a partir do Brasil e da América Latina. Com programação distribuída por diferentes territórios da cidade e convergência no Museu do Amanhã, o fórum traz como um de seus pilares a trilha Futuros Ancestrais e Inteligência Cultural.
“O BFF vai transformar a cidade em um laboratório vivo de futuros e ancorado na ancestralidade e no soft power carioca”, afirma o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha, que fará a abertura oficial do evento.
Uma trilha ancorada na memória da cidade
Essa proposta ganha forma em experiências que levam a discussão sobre futuros para territórios marcados pela memória e pela cultura da cidade. Com o apoio do Instituto Afrofuturo, a trilha promove atividades em diferentes espaços.
No dia 22 de agosto, o Instituto Pretos Novos (IPN) conduz uma experiência territorial pela Pequena África. O percurso passa por locais fundamentais da história afrodiaspórica no Rio de Janeiro, como o Largo de São Francisco da Prainha, a Pedra do Sal, o Jardim Suspenso do Valongo, o Cais do Valongo, as Docas Pedro II, a região da Revolta da Vacina e o Cemitério dos Pretos Novos. O ponto de encontro será no Largo de São Francisco da Prainha, na Saúde, Zona Portuária, em frente à Estátua da Bailarina Mercedes Baptista.
No dia 23 de agosto, inspirada no legado de uma das maiores matriarcas da cultura nacional e figura central do samba carioca, a Casa da Tia Ciata oferece uma imersão que conecta memória, patrimônio e autonomia digital. O público poderá participar de visitas mediadas à exposição “Caminhos de Ciata – Legado e Memória de Tia Ciata”, passeios pelo Circuito da Herança Africana e oficinas de tambor e capoeira. A programação também promove debates sobre como proteger e preservar memórias e culturas tradicionais diante dos desafios de um mundo cada vez mais conectado.
Simultaneamente, nos dias 22 e 23 de agosto, o Casarão Cultural João de Alabá, em parceria com o Instituto RioMemóriaAção (RMA), realiza atividades voltadas à inteligência territorial e à economia criativa. A agenda inclui o Guiamento Cidade Terreiro, a Feira Afro do Valonguinho, oficinas de bordado em fotografia e fundamentos do samba, o Laboratório AfroCriativo, mesas de conversa sobre memória e circularidade, além da exibição da prévia do documentário “Áfricas Pequenas”.
O princípio de Sankofa
Segundo Isa Maria Rodrigues, diretora de Experiência Cultural e Curadoria do BFF, a proposta curatorial parte do princípio de que memórias, saberes populares e formas de organização comunitária não são apenas registros do passado, mas tecnologias vivas de futuros.
“Os futuros que buscamos precisam conhecer as raízes sobre as quais estão sendo construídos”, destaca Isa, relacionando a proposta ao princípio de Sankofa, símbolo tradicional de Gana que remete à importância de olhar para o passado e para a ancestralidade em busca de conhecimentos necessários à construção de um futuro melhor.
Navegação digital pela programação
O BFF contará com uma plataforma interativa desenvolvida pela Envisioning, parceira do evento, que permitirá consultar e filtrar as atividades por dia e local, favoritar sessões, montar uma agenda personalizada e acessar roteiros temáticos. Após o evento, a ferramenta reunirá conteúdos e aprendizados das sessões, formando uma memória digital da primeira edição do Brasil Futures Forum.
Serviço
Evento: Brasil Futures Forum (BFF) — Trilha Futuros Ancestrais e Inteligência Cultural
Data: 22, 23 e 24 de agosto de 2026
Locais: Museu do Amanhã e circuito territorial na Pequena África (Largo da Prainha, Casa da Tia Ciata, Casarão Cultural João de Alabá e IPN)
Inscrições e programação completa: gratuitas, via Sympla
