Nove obras, seis telas e três painéis, pintados em tinta acrílica ao longo de sete meses. Não é a transição de gênero da filha o que Anselmo Arlotta escolheu retratar em “Priorizando o Amor” — é o próprio caminho que percorreu, como pai, até chegar a um lugar de aceitação. A exposição inédita abre às 19h de terça-feira (11), na Galeria Lama, em Florianópolis, e reúne o que o artista descreve como um processo que começou muito antes de virar projeto artístico: a pintura, antes de qualquer curadoria, foi a forma que ele encontrou para elaborar sentimentos que não sabia nomear de outro jeito.
“Entendi que somente o amor seria capaz de me conduzir por esse caminho. Eu podia escolher ser uma adversidade na vida da minha filha ou caminhar ao lado dela. Priorizar o amor foi a decisão que transformou também a minha maneira de enxergar a vida”, conta Arlotta.
A arte como registro de um processo, não de um fato
A distinção que o artista faz questão de marcar é importante: as obras não ilustram a experiência da filha, e sim os conflitos, as descobertas e as mudanças que ele próprio atravessou como pai diante dessa nova realidade familiar. Cada peça corresponde a um momento diferente dessa trajetória — um mapa emocional pintado em cores e pinceladas intensas, no vocabulário do expressionismo, mais interessado em revelar o que se sentiu do que em narrar o que aconteceu.
É uma escolha que separa “Priorizando o Amor” de outras exposições que abordam identidade de gênero: aqui, o protagonismo do olhar é do pai — mas a autoridade sobre a narrativa segue sendo da filha. A curadoria da mostra é assinada por Ingrid Novaes Arlotta, que é, ao mesmo tempo, curadora e a pessoa cuja história motivou as obras. É ela quem decide como o processo do pai é apresentado ao público, o que transforma a exposição em algo diferente de um relato unilateral: é uma conversa entre os dois, mediada por telas.
O que o artista espera que a exposição provoque
Para Arlotta, que expõe pela segunda vez individualmente na Galeria Lama, o objetivo da mostra ultrapassa o relato pessoal. “Espero que outros pais e mães percebam que é possível superar medos, romper preconceitos e enxergar essa realidade de outra forma. Quando priorizamos o amor, também aprendemos a compreender melhor nossos filhos”, diz. A aposta é que a exposição funcione como espelho para famílias vivendo experiências parecidas — não como modelo a ser copiado, mas como evidência de que esse caminho, por mais difícil que pareça no início, é percorrível.
“Gostaria que as pessoas percorressem a exposição refletindo sobre esse caminho e percebessem que, quando o amor vem primeiro, ele também transforma a forma como nos relacionamos com quem amamos”, completa o artista.
Serviço
“Priorizando o Amor” fica em cartaz até 5 de setembro de 2026, de terça a sábado, das 18h às 00h, na Galeria Lama, no Centro de Florianópolis — com entradas pela Rua João Pinto, 198, e pela Rua Antônio (Nico) Luz, 159. A programação inclui uma visita guiada ao longo do período de exposição.
