O uso de torres de monitoramento em tempo real e aplicativos de celular virou aliado no combate ao recorde de queimadas no Cerrado. As ferramentas tecnológicas aumentam a precisão na descoberta de focos de fogo em Unidades de Conservação. As iniciativas recebem o suporte financeiro do Programa Copaíbas.
Uma torre com câmeras de alta resolução e algoritmos para identificar fumaça começou a operar em maio no Parque Nacional da Serra da Bodoquena, em Mato Grosso do Sul. O sistema reduz o atraso comum nos alertas por satélite e cobre 90% dos 76 mil hectares da reserva. A instalação foi feita pela Fundação Neotrópica do Brasil.
O programa de preservação apoia ações de Manejo Integrado do Fogo e a compra de equipamentos de proteção individual. Uma chamada pública iniciada em 2025 destinou R$ 5 milhões para projetos nas reservas ambientais e arredores. O trabalho inclui a formação de brigadistas voluntários e atividades de educação comunitária.

Na comunicação entre as equipes, os defensores ambientais usam o aplicativo Caminho do Fogo para monitorar o território. A ferramenta funciona sem internet e ajuda a organizar os grupos de combate e a registrar trajetos em áreas isoladas. O programa é coordenado pela Rede Contra Fogo e passa por melhorias.
O aplicativo também está em fase de testes em Alter do Chão, no Pará, e no Parque Nacional das Emas, em Goiás. Os desenvolvedores planejam lançar a primeira versão oficial do sistema em julho de 2026. Atualmente, o programa para celulares já pode ser baixado de forma gratuita por usuários do sistema Android.
O Cerrado tem o fogo como um elemento natural de sua dinâmica ecológica, mas o descontrole das chamas ameaça a biodiversidade local. O investimento em tecnologia tenta diminuir o tempo de resposta das brigadas logo no início dos focos. A intenção é evitar que os incêndios se espalhem por grandes áreas de vegetação nativa.
