Os desastres climáticos deixaram de ser previsões de longo prazo e se tornaram a realidade mais urgente e onerosa do Sul do Brasil. Da seca histórica no Nordeste à tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul e os ciclones extratropicais em Santa Catarina, os eventos extremos evidenciam um fato indiscutível: a escolha de representantes no Executivo e no Legislativo determina diretamente a sobrevivência das cidades. As decisões tomadas em Brasília e nas capitais estaduais — da alocação de emendas parlamentares à liberação de verbas da Defesa Civil — ditam se o poder público irá apenas remediar catástrofes ou se investirá em infraestrutura de prevenção e transição ecológica.
Diante do avanço da crise climática global, a escolha de candidaturas com propostas técnicas robustas para o meio ambiente tornou-se um mecanismo de defesa socioeconômica para as populações, sobretudo aquelas que residem nas áreas de maior vulnerabilidade urbana e rural.
O custo da omissão: O impacto dos eventos extremoss no Brasil
Historicamente considerado um polo de estabilidade agrícola e econômica, o Sul do Brasil transformou-se no epicentro nacional dos impactos mais severos do aquecimento global. Dados de órgãos oficiais de monitoramento meteorológico e econômico demonstram que a falta de políticas continuadas de adaptação climática custa bilhões aos cofres públicos e destrói arranjos produtivos locais inteiros.
- A Conta da Destruição: Relatórios técnicos de confederações de municípios apontam que as perdas econômicas decorrentes de tempestades, vendavais e inundações na Região Sul superam a casa das dezenas de bilhões de reais, impactando rodovias, saneamento e redes elétricas.
- Quebra na Produção de Alimentos: As secas severas seguidas por excesso de chuvas torrenciais têm provocado sucessivos recordes de perdas na safra de grãos e na pecuária familiar nos estados sulistas, pressionando a inflação de alimentos na mesa de todas as famílias.
- Vulnerabilidade Periférica: Mapeamentos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que milhares de pessoas no Sul vivem em áreas de alto risco para deslizamentos de encostas e inundações, onde a infraestrutura de drenagem urbana e contenção é historicamente deficitária.
Do orçamento ao asfalto: O papel das candidaturas majoritárias e proporcionais
Muitas vezes, o eleitor associa o combate à crise climática apenas a tratados internacionais assinados em conferências da ONU. No entanto, as ferramentas reais de enfrentamento estão concentradas nos orçamentos controlados por Presidentes, Governadores, Senadores e Deputados.
No Poder Executivo (Presidente e Governador)
Cabe aos governantes desenhar os Planos Plurianuais (PPA) e liberar os fundos de contingência. É o voto para o Executivo que decide o ritmo de investimentos no Fundo Clima, o volume de recursos destinados às defesas civis estaduais para a criação de sistemas de alerta precoce e as políticas habitacionais baseadas em reassentamento seguro, como a expansão do Aluguel Social contínuo para populações atingidas por tragédias recorrentes.
No Poder Legislativo (Senadores, Deputados Federais e Estaduais)
Os parlamentares são os responsáveis por votar a legislação ambiental e fiscalizar as metas de transição ecológica assumidas pelo país. O voto em deputados e senadores ambientalmente comprometidos impede retrocessos em códigos florestais e garante a destinação de emendas parlamentares estruturantes para obras de macrodrenagem, proteção de encostas e recuperação de restingas e matas ciliares, combatendo o esvaziamento de verbas causado pela fragmentação política do orçamento.
Justiça climática e cidades resilientes
O conceito de Justiça Climática comprova que os impactos ambientais não atingem a população da mesma forma. Pessoas negras, indígenas, mulheres chefes de família e moradores de áreas periféricas e rurais são os que dispõem de menos recursos para se proteger ou reconstruir suas vidas após um desastre.
Votar em candidaturas comprometidas com a pauta ambiental significa garantir que o planejamento das cidades seja guiado pelo modelo de cidades resilientes, que colocam no centro das decisões orçamentárias as populações historicamente marginalizadas. Proteger o solo, recuperar os rios urbanos e investir na transição ecológica justa deixaram de ser bandeiras ideológicas isoladas; tornaram-se a única estratégia realista para garantir a segurança, a economia e o futuro do Sul e de todo o Brasil.
A Bancada do clima no Sul
Para que as propostas de sustentabilidade e resiliência saiam do papel, a atuação parlamentar nas instâncias estaduais e federais é decisiva. Abaixo, destacamos lideranças do RS, SC e PR identificadas formalmente com a defesa dessa agenda:
1. Representação nas Assembleias Legislativas (Estaduais)
| Estado | Parlamentar | Perfil Técnico e Foco de Atuação | Principal Bandeira Climática |
|---|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | Matheus Gomes (PSOL) | Concentra sua atuação na fiscalização de planos de contingência contra enchentes e no combate ao racismo ambiental nas periferias. | Defesa de comunidades expostas a desastres urbanos e exigência de habitação segura. |
| Santa Catarina | Marquito (PSOL) | Preside a Comissão de Meio Ambiente da ALESC e ganhou projeção na ONU ao propor leis baseadas nos Direitos da Natureza. | Implementação da compostagem urbana obrigatória e transição agroecológica para mitigar cheias. |
| Paraná | Goura Nataraj (PDT) | Cicloativista. Dedica o mandato à formulação de políticas públicas voltadas ao urbanismo sustentável e à proteção de bacias hidrográficas. | Expansão da mobilidade ativa, infraestrutura cicloviária e preservação de rios urbanos. |
2. Representação na Câmara dos Deputados (Federais)
| Estado | Deputado(a) Federal | Perfil técnico e foco de atuação em Brasília | Principal bandeira climática na Câmara |
|---|---|---|---|
| Rio Grande do Sul | Fernanda Melchionna (PSOL) | Parlamentar atuante na fiscalização de orçamentos de socorro a catástrofes e no enfrentamento a projetos que flexibilizam a proteção do Pampa e da Mata Atlântica. | Destinação de emendas para prevenção de cheias e fortalecimento das defesas civis regionais. |
| Santa Catarina | Pedro Uczai (PT) | Articulador de modelos agrícolas alternativos, focando na intersecção entre clima e produção de alimentos. | Fortalecimento da agroecologia e fomento a cooperativas familiares sustentáveis. |
| Paraná | Tadeu Veneri (PT) | Atuação destacada contra a mineração predatória e em defesa da segurança hídrica. | Regulação de fundos de transição energética e proteção a territórios tradicionais e indígenas. |
