podcast Blecaute entra em sua reta final de episódios inéditos consolidado como um dos mais importantes registros teóricos e afetivos da produção artística negra no Brasil contemporâneo. Realizado pelos cineastas Gabriel Martins e André Félix em parceria com o Itaú Cultural, o programa dedica suas últimas três semanas de exibição a debates profundos sobre os bastidores da validação artística e o significado íntimo da criação.
Com as sete primeiras discussões já disponíveis nas plataformas de áudio, o trio de episódios de encerramento coloca em xeque as estruturas dos festivais, os novos rumos da crítica digital e as potências do samba e da memória.
A agenda da reta final
Os episódios finais vão ao ar entre o fim de maio e o início de junho, sempre trazendo nomes de peso do pensamento cultural:
- 21 de maio — Curadoria de festivais de cinema
- Convidado: Cleber Eduardo.
- O debate: Os bastidores e as escolhas políticas e artísticas que definem as telas dos grandes festivais de cinema contemporâneos.
- 28 de maio — Os labirintos da crítica de cinema
- Convidados: Juliano Gomes e Bernardo Oliveira.
- O debate: O impacto da influência digital, o ativismo na escrita cinematográfica e o papel do crítico em tempos de redes sociais.
- 04 de junho — O que é a sensibilidade preta?
- Convidada: Teresa Cristina.
- O debate: O encerramento da temporada une samba, religiosidade e afeto para discutir as estruturas profundas da criação artística negra.
Por que esses episódios importam?
Enquanto o início da temporada mapeou a atuação, o streaming e o mercado audiovisual, esta tríade de encerramento joga luz sobre quem valida a arte. Debater curadoria e crítica com profissionais negros significa questionar quem decide o que é “bom” ou “relevante” na cultura nacional. Já o desfecho com Teresa Cristina amarra a técnica à ancestralidade, transformando teoria em pura emoção.
SOBRE OS APRESENTADORES
Nascido em Belo Horizonte e radicado na periferia de Contagem, Gabriel Martins é roteirista, diretor, fotógrafo e montador, além de sócio-fundador da Filmes de Plástico, produtora criada ao lado de André Novais Oliveira, Maurílio Martins e Thiago Macêdo Correia. Desde 2005, dirigiu e escreveu diversos curtas-metragens de destaque no circuito nacional e internacional, como Contagem, Dona Sônia pediu uma arma ao seu vizinho Alcides, Meu Amigo Mineiro, Rapsódia para o Homem Negro e Nada, exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes em 2017.
Seu longa No Coração do Mundo (2019), codirigido com Maurílio Martins, estreou no Festival Internacional de Cinema de Roterdã. Já Marte Um (2022), seu primeiro longa solo, teve estreia mundial no Sundance Film Festival, conquistou diversos prêmios internacionais, venceu o Festival de Cinema de Gramado e foi escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar 2023. Em 2025, lançou sua primeira série como criador, O Natal dos Silva, no Canal Brasil. Atualmente, finaliza seu terceiro longa-metragem, Vicentina pede desculpas.
Natural do Rio de Janeiro, André Félix é diretor, roteirista e produtor de cinema e televisão. Sua trajetória se construiu na interseção entre criação cinematográfica, crítica cultural e difusão audiovisual. Dirigiu e roteirizou os curtas A Cor do Fogo e a Cor da Cinza, premiado na Mostra Kinoforum de São Paulo, e Valentina, vencedor de Melhor Curta e Melhor Direção no Cine Ceará, além do longa Diante dos Meus Olhos. Também assina a corroteirização do longa Entreturnos e a criação da websérie Balada.
Entre seus projetos em desenvolvimento estão os longas Pássaros Que Se Deitam na Água e A Vigília. Desde 2025, atua como programador audiovisual do Sesc Espírito Santo, onde coordena programação, curadoria e licenciamento de acervos cinematográficos, com destaque para mostras dedicadas ao cinema brasileiro e africano. André Félix também apresenta os programas Tudo é Black e TURUGUDUM, na rádio Espírito Santo FM e é fundador do bloco carnavalesco Regional da Nair.
