Embalagens de alimentos e bebidas aparecem em 93% das zonas costeiras do mundo, segundo estudo publicado em 2026 na revista One Earth. Para combater essa realidade na prática, o governo federal iniciou a implementação do Plastic Reboot Brasil. O projeto internacional vai estruturar ações pelos próximos cinco anos para reduzir poluição plástica no litoral brasileiro, integrando o poder público, a indústria e o setor de turismo.
Coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a iniciativa teve sua primeira reunião do Comitê Gestor realizada em Brasília. O objetivo central é tratar o resíduo plástico não apenas como dano ambiental, mas como um desafio logístico e econômico.
Cidades-piloto e o gargalo do setor de turismo
O plano foca inicialmente no setor Horeca (hotéis, restaurantes e cafés) de cinco regiões estratégicas:
- Belém (PA)
- Salvador (BA)
- Rio de Janeiro (RJ)
- Florianópolis (SC)
- Baixada Santista (SP)
A estratégia vai combinar incentivos econômicos e novas regulamentações para viabilizar a substituição de plásticos de uso único. Um dos desafios mapeados em Salvador, por exemplo, foi a dificuldade de hotéis locais em trocar garrafas plásticas por vidro devido à falta de fornecedores regionais. O projeto visa conectar a indústria e os distribuidores para solucionar esses gargalos logísticos.
Integração internacional e fomento à economia circular
O Plastic Reboot Brasil é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e conta com a parceria do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e do WWF. A proposta não prevê a proibição imediata do material, mas sim o impulso a soluções de mercado que já funcionam.
A maior parte dos recursos financeiros será destinada a projetos-piloto locais e campanhas de conscientização. Os resultados práticos dessas cidades servirão de base para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) estruturar a nova Estratégia Nacional de Economia Circular, permitindo que o modelo seja replicado em todo o país.
