O laboratório de uma universidade pública transforma-se no epicentro de uma perigosa disputa de poder e soberania científica no cinema nacional. O diretor Guilherme Coelho coloca a ciência e a saúde pública no centro de um suspense eletrizante em Oceânico, longa-metragem de ficção selecionado para o 28º Festival do Rio, onde fará sua estreia mundial no dia 2 de outubro, dentro da competitiva Première Brasil. Protagonizado pela premiada atriz Ana Carbatti, o filme costura dramas familiares à dependência química, contrapondo o pensamento crítico ao avanço do autoritarismo no país.
Um projeto da Matizar Filmes, em coprodução com a Bubbles Project e a Cinema Inflamável e produção associada da Tigresa e da Manny Films (França), Oceânico acompanha os dilemas da brilhante neurocientista Adyr (Carbatti). Referência por seu trabalho de pesquisa em uma universidade pública, ela descobre na medicina psicodélica a chave para um tratamento promissor para a doença. Porém, diante do potencial de ganhos financeiros, Adyr se torna alvo de um grupo interessado em se apropriar de seu trabalho. Sem saber em quem confiar, a protagonista precisará lutar para proteger sua pesquisa, sua vida e a de seu filho.

Além da convicção de que o alcoolismo é um grave desafio à saúde pública, Coelho viu no projeto a oportunidade de “dialogar diretamente com o clima político opressivo e desanimador do Brasil atual”. “Queria falar sobre a ameaça à democracia representada pelo processo de ‘milicianização’ do Rio de Janeiro e pelo avanço dessa onda autoritária”, conta o diretor. “Resistência e o pensamento crítico promovidos pelo laboratório da nossa protagonista são as ferramentas essenciais para lutarmos contra essa distopia em que vivemos”, explica.
A narrativa foi embasada em estudos reais com psicodélicos e, principalmente, os desenvolvidos em torno da Ayahuasca. Esse interesse tem crescido ao longo dos anos, inclusive no Brasil, que é atualmente o terceiro país que mais trabalha em pesquisas sobre o assunto devido à influência da substância amazônica. A produção contou com consultoria e atuação do professor e neurocientista Sidarta Ribeiro, referência no estudo de psicoativos para uso medicinal.
“Oceânico me interessa pela forma como aproxima maternidade e política a partir de uma relação íntima entre mãe e filho. O filme olha para essa relação sem idealizações, atravessada por afetos, escolhas, conflitos e também pelas contradições do mundo em que vivemos. Como produtora, me interessa especialmente participar de uma obra que conecta questões tão pessoais a temas coletivos e que, justamente por isso, tem potencial para dialogar com um público bastante amplo”, afirma Mariana Ferraz, produtora do longa e diretora executiva da Matizar Filmes.
Foi justamente essa capacidade de estimular o diálogo que despertou também o interesse da Filmes do Estação, que fica a cargo da distribuição do longa no Brasil. “Oceânico parte de questões muito atuais, como fronteiras da ciência, saúde pública e pressões políticas e econômicas para construir uma história profundamente humana. É um filme que provoca reflexão e envolve o espectador do começo ao fim. Estamos muito felizes em iniciar essa trajetória no Festival do Rio e confiantes no encontro que o filme terá com o público”, afirma Adriana Rattes, diretora executiva da distribuidora.

A produtora Tatiana Leite, da Bubbles Project, compartilha visão semelhante e celebra a estreia em um dos festivais de cinema mais tradicionais do país. “Oceânico aborda temas urgentes para o Brasil de hoje, como a saúde pública e o valor da ciência como resistência num país cada vez mais ameaçado pelo pensamento autoritário. Adyr é uma protagonista arrebatadora, vivida por Ana Carbatti numa atuação à altura da personagem, e estamos ansiosos para dividir o filme com o público no Festival do Rio”. “O filme foi desenvolvido com recursos do edital de Núcleos Criativos do FSA, o que mostra como esse fomento é fundamental para a produção brasileira. Estamos muito felizes com essa nova parceria com a Matizar Filmes, produtora amiga desde os primórdios da Bubbles”, conclui.
Idealizado inicialmente por Guilherme Coelho em conjunto com o escritor Michel Laub, o roteiro é assinado por Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub, Vinícius Spanghero, Josefina Trotta e pelo diretor Guilherme Coelho. O longa é produzido por Mariana Ferraz, Tatiana Leite, Karim Aïnouz e Guilherme Coelho.
SERVIÇO
Première de Oceânico no Festival do Rio
Data: 02/10 (sexta-feira)
Horário: às 21h45
Local: Estação Claro Gávea – salas 4 e 5
Endereço: R. Marquês de São Vicente, 52 – Gávea, Rio de Janeiro – RJ
Sessão-especial com debate
Data: 03/10 (sábado)
Horário: às 16h30
Local: Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro
Endereço: Praça Floriano, 7 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
Sessão de reprise
Data: 04/10 (domingo)
Horário: às 21h15
Local: Cinesystem Belas Artes Botafogo
Endereço: Endereço: Praia de Botafogo, 316 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ
| SINOPSE: Adyr é uma brilhante cientista que, após perder o marido para o alcoolismo, descobre na medicina psicodélica a chave para a cura dessa doença. Quando ela se torna alvo de um grupo interessado em se apropriar de seu trabalho, ela se vê ameaçada e sem saber em quem confiar. Agora, precisará lutar para proteger sua pesquisa, sua vida e a de seu filho, Tom. |
| FICHA TÉCNICA Direção: Guilherme Coelho Elenco: Ana Carbatti, Caio Cabral, Sidarta Ribeiro, Tay O’hanna, Nill Marcondes, Pedro Guimarães, Julio Adrião, Bárbara Vila Nova e Manuela Llerena Roteiro: Guilherme Coelho, Josefina Trotta, Marcelo Gomes, Mariana Jaspe, Michel Laub e Vinícius Spanghero Produção: Matizar Filmes, Bubbles Project e Cinema Inflamável Produção associada: Tigresa e Manny Films (França) |
