Como transformar a brasilidade em um ativo estratégico capaz de gerar valor para marcas, produtos, serviços e experiências? Essa é a questão que orienta o Made in Brasil com Gingado, iniciativa da Badauê Plataforma de Inovação Cultural que propõe sistematizar o uso dos repertórios brasileiros na construção de valor para os negócios.
Apresentado por Alicia Cesario, CEO e cofundadora da Badauê, e Natália Lucas, diretora de criação e cofundadora da plataforma, durante a 10ª Semana Criativa de Tiradentes, o projeto parte de uma análise sobre como diferentes países estruturam e comunicam seus diferenciais culturais e produtivos. Itália, Alemanha e Coreia do Sul foram algumas das referências examinadas para compreender como identidades nacionais podem ser incorporadas às estratégias de posicionamento e competitividade.
A partir desse diagnóstico, a Badauê desenvolveu uma proposta para organizar os repertórios brasileiros e identificar suas possibilidades de aplicação aos negócios.
“Para a Badauê, o gingado brasileiro sempre foi uma ferramenta para gerar valor. Ele concentra uma habilidade muito nossa de empreender em meio a contextos adversos — algo cada vez mais necessário para os negócios. Nossa tese é que o Brasil possui ativos valiosos, mas ainda precisa desenvolver formas mais estruturadas de reconhecer e transformar esses ativos em vantagem competitiva para marcas e negócios”, destaca Alicia Cesario.
Metodologia proprietária para identificar oportunidades de mercado
Um dos pilares do projeto é o Mapa de Valor Brasileiro, ferramenta proprietária da Badauê que sistematiza a construção de ondas de valor para marcas e negócios a partir do gingado brasileiro. A proposta é identificar como referências culturais, conhecimentos, técnicas, histórias, territórios e modos de fazer podem orientar decisões estratégicas, fortalecer identidades e abrir oportunidades de mercado.
A apresentação também trouxe o case Farm x Badauê x Rip Curl, apontado pela plataforma como exemplo prático de incorporação da brasilidade à construção de valor de uma marca. A iniciativa ilustra como referências culturais podem dialogar com posicionamento e estratégia de mercado.
A perspectiva é tratar a brasilidade não apenas como recurso de comunicação, mas como um conjunto de ativos capazes de contribuir para a diferenciação de produtos, serviços e experiências.
Pesquisa anual e critérios para reconhecer marcas brasileiras
O Made in Brasil com Gingado prevê o desenvolvimento de uma metodologia para avaliar como os ativos nacionais são identificados, interpretados e incorporados às estratégias de marcas e negócios, além de investigar sua contribuição para a diferenciação e a geração de valor.
A iniciativa inclui uma pesquisa anual sobre a brasilidade aplicada como categoria econômica. O levantamento deverá investigar o desempenho de marcas que trabalham seus repertórios brasileiros de maneira estruturada, as categorias com potencial para capturar prêmio de preço, os mercados com maior demanda, os atributos mais valorizados e as oportunidades ainda não atendidas.
A intenção é construir uma base de conhecimento que permita dimensionar essa categoria e orientar a definição de parâmetros públicos de reconhecimento. A futura chancela Made in Brasil com Gingado deverá resultar desse processo, considerando não apenas a origem geográfica de um produto, mas a maneira como os ativos brasileiros participam efetivamente da construção de uma marca.
“O Brasil possui ativos culturais, criativos, intelectuais e produtivos capazes de gerar valor, e precisa de estruturas melhores para reconhecer, desenvolver e ampliá-los”, afirma Natália Lucas.
Segundo a diretora de criação, o desafio está em estabelecer uma relação verificável entre esses ativos e as decisões de negócio. Território, matéria-prima, conhecimento, técnica, história e repertório cultural são alguns dos elementos que poderão ser considerados na metodologia, observando como se traduzem em produtos, serviços, experiências e estratégias de posicionamento.
Ativos intangíveis ganham relevância na economia
A iniciativa dialoga com uma transformação na maneira como o mercado reconhece o valor das empresas. O estudo Intangible Asset Market Value, da Ocean Tomo, aponta que a participação dos ativos intangíveis no valor de mercado das empresas do S&P 500 passou de 17%, em 1975, para 92% no fim de 2025. Os dados evidenciam a crescente relevância de elementos como reputação, conhecimento, propriedade intelectual e significado de marca.
“Reputação, conhecimento, propriedade intelectual, identidade e significado de marca são construções que dependem de tempo, consistência, experiência e reconhecimento. Não se consolidam por meio de uma campanha isolada nem se reproduzem simplesmente com investimento”, explica Natália Lucas.
Ao apresentar o Made in Brasil com Gingado na Semana Criativa de Tiradentes, a Badauê amplia o debate sobre como transformar a riqueza cultural brasileira em diferencial competitivo. A proposta é contribuir para um entendimento mais abrangente do que caracteriza um produto ou serviço brasileiro, considerando não apenas sua origem, mas também os conhecimentos, processos, referências e soluções criativas envolvidos em sua concepção.
Em um cenário no qual os ativos intangíveis assumem papel crescente na construção de valor empresarial, a iniciativa busca aproximar cultura, inovação e desenvolvimento econômico. Para a Badauê, o gingado brasileiro representa um repertório de conhecimentos e possibilidades que pode inspirar novas estratégias, fortalecer marcas e gerar valor nos mercados nacional e internacional.
