O Brasil enfrenta uma transformação demográfica acelerada que está reconfigurando as bases do mercado corporativo, das finanças e do planejamento urbano. Atualmente, uma em cada cinco pessoas no país já tem 60 anos ou mais, e a América Latina consolidou-se como a região que envelhece mais rapidamente no mundo. Diante desse cenário, o 8º Fórum & Festival Longevidade — Reimaginando Futuros, realizado pelo Movimento LABoo no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera (SP), reuniu mais de 300 palestrantes e 200 horas de programação para traçar soluções estruturais para a chamada “Economia da Longevidade”.
O evento gratuito debateu como a maturidade impacta seis eixos estratégicos: Cultura, Educação e Trabalho, Cidades, Cuidado e Bem-estar, Finanças, e Inovação. A meta principal do fórum foi conectar a academia, o setor privado e gestores públicos para desenhar respostas efetivas para um mercado consumidor e uma força de trabalho cada vez mais longevos.
O boom do empreendedorismo sênior e conflitos corporativos
A mudança nos gráficos populacionais atinge diretamente o ecossistema de negócios brasileiro. O país já contabiliza 4,5 milhões de empreendedores com mais de 60 anos, um salto expressivo de 60% na última década. Esse contingente avança na contramão de um mercado de capitais e de estruturas de aceleração de carreiras que permanecem prioritariamente desenhados para o público jovem.
Atualmente, até cinco gerações coexistem no mesmo ambiente profissional, desafiando os departamentos de recursos humanos a criarem trajetórias de trabalho sustentáveis para carreiras que agora passam facilmente dos 40 anos de duração.
Cidades para 100 anos e a invisibilidade social do cuidado
Além do impacto financeiro, o fórum coordenado por Sérgio Serapião colocou no centro do debate o futuro das cidades e a infraestrutura de acolhimento. As discussões apontaram a urgência de remodelar os espaços públicos para suportar uma expectativa de vida que ruma aos 100 anos, demandando calçadas acessíveis, transporte público adaptado e redes de apoio comunitário.
A vulnerabilidade social na velhice também foi mapeada sob uma ótica interseccional, evidenciando o etarismo na publicidade — ainda restrita a estereótipos caricatos — e o isolamento enfrentado por mulheres negras idosas e pela população LGBTQIAPN+. Em paralelo, a “crise do cuidado” apresentou dados alarmantes: seis em cada dez pessoas com mais de 50 anos já cuidam ou terão que cuidar de alguém nos próximos anos, transformando a assistência de saúde em uma das cadeias de serviço mais demandadas e urgentes da próxima década.
