O longa-metragem “Xica da Silva”, dirigido por Cacá Diegues, voltará a ser exibido nas salas de cinema do país a partir de 16 de julho de 2026. O relançamento da obra, originalmente lançada em 1976 e que contabilizou mais de três milhões de espectadores, será feito em cópia restaurada por meio da Sessão Vitrine Petrobras.
Antes de chegar ao circuito comercial, a nova versão digitalizada terá sua primeira exibição pública no Festival de Cinema de Ouro Preto, em 28 de junho. A programação no evento mineiro inclui um debate técnico sobre o processo de recuperação física dos rolos do filme. A atividade terá a participação da restauradora Débora Butruce e da produtora Renata Magalhães, detentora dos direitos autorais da produção.
O mundo vivia a Guerra Fria e o Brasil ainda estava longe da redemocratização. Era 1976 e, enquanto nos Estados Unidos Sylvester Stallone treinava ao som da trilha de Rocky, Um Lutador, por aqui Zezé Motta lançava seu feitiço sobre todos à sua volta.
Numa época em que o Cinema Novo ainda exercia forte influência sobre o audiovisual brasileiro, Cacá Diegues procurou um caminho próprio. Sem abandonar preocupações políticas e históricas, XICA DA SILVA combina humor, erotismo, música, espetáculo e linguagem popular para colocar uma mulher negra no centro absoluto da narrativa.
Baseado na obra literária de João Felício dos Santos, o roteiro reconta a história de Chica da Silva, mulher negra escravizada que conquistou a alforria no século XVIII. A narrativa foca no relacionamento público que ela manteve com o contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira em Minas Gerais. Na época do lançamento original, o filme obteve os prêmios de melhor filme, direção e atriz no Festival de Brasília.
A produção marcou a carreira da atriz Zezé Motta, que interpreta a personagem principal ao lado de Walmor Chagas e José Wilker. A trilha sonora original foi composta por Jorge Ben Jor e Roberto Menescal. O filme tornou-se a primeira obra dirigida por Cacá Diegues a ser escolhida para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar.
Poucos filmes brasileiros carregam tantas cores quanto Xica da Silva. Restaurá-lo é preservar a força de uma obra que rompeu padrões, exaltou a cultura negra, colocou uma mulher no centro da narrativa e conquistou o público sem abrir mão de sua ousadia, afirma Silvia Cruz, idealizadora do projeto e sócia da Vitrine Filmes.
“Graças ao patrocínio da Petrobras é possível incluir filmes de patrimônio entre os lançamentos do projeto, resgatando a memória do audiovisual nacional e favorecendo a formação de uma cultura cinematográfica baseada em referências brasileiras, ação essencial para a valorização do nosso cinema”, conclui.
O cineasta alagoano faleceu no início de 2025, deixando como trabalho derradeiro o longa-metragem “Deus Ainda É Brasileiro”, programado para o circuito de 2026. A distribuidora Vitrine Filmes, responsável pelo relançamento atual, já reinseriu no mercado nacional outros títulos do patrimônio audiovisual brasileiro. Entre os projetos anteriores da empresa estão os filmes “A Hora da Estrela” e “São Paulo S/A”.
SINOPSE
Na segunda metade do século XVIII, a negra escravizada Xica da Silva torna-se o centro das atenções no Distrito Diamantino, onde estão as minas mais ricas do país. João Fernandes, representante da Coroa Portuguesa, apaixona-se por Xica e a transforma na Rainha do Diamante, satisfazendo todos os seus desejos extravagantes. Alertado pelos inimigos do casal, o rei de Portugal manda um emissário a fim de impedir que cresça o poder de Xica na colônia.
ELENCO
Zezé Motta | Xica da Silva
Walmor Chagas | Comendador João Fernandes
Altair Lima | Intendente
Elke Maravilha | Hortência
Stepan Nercessian | José
Rodolfo Arena | Sargento-Mor
José Wilker | Conde de Valadares
Marcus Vinícius | Teodoro
João Felício dos Santos | Padre
Dara Kocy | Zefina
Adalberto Silva | Cabeça
Julio Mackenzie | Raimundo
Beto Leão | Mathias
Luis Motta | Taverneiro
Paulo Padilha | Ourives
Baby Conceição | Figena
Iara Jati | Tonha
Luis Felipe | Major
Alberto Patu | Garimpeiro
Derly Barbosa | Tropeiro
Paulão | Mucamo
Pompeo | Mucamo
FICHA TÉCNICA
Direção | Carlos Diegues
Roteiro | Carlos Diegues e Antonio Callado
Baseado no livro Memórias do Distrito de Diamantina a Comarca do Serro Frio | João Felicio dos Santos
Produção | Hélio Ferraz, José Oliosi, Airton Correa e Jarbas Barbosa
Fotografia | José Medeiros
Montagem | Mair Tavares
Direção de Arte e Figurino | Luiz Carlos Ripper
Caracterização | Carlos Prieto
Música | Jorge Ben Jor e Roberto Menescal
Som | Vitor Raposeiro
Gênero | comédia Dramática / histórico
Distribuição | Vitrine Filmes
Duração | 117 min
País e ano de produção | Brasil, 1976
SOBRE A VITRINE FILMES
A Vitrine Filmes é uma distribuidora de cinema independente que, há 15 anos, promove e valoriza o audiovisual brasileiro e latino-americano. Foi pioneira na descentralização do circuito exibidor com o projeto Sessão Vitrine Petrobras e, desde 2020, vem ampliando sua atuação com iniciativas como a Vitrine España, dedicada à produção e distribuição de filmes na Europa; o selo Manequim, voltado a títulos para grandes públicos; o curso online Vitrine Lab; e a Vitrine Produções, focada no desenvolvimento de novos projetos brasileiros.
