A Articulação Nacional de Agroecologia lançou, na terça-feira, 16 de junho de 2026, a Carta Política para as Eleições 2026. O documento reúne 47 propostas estruturais direcionadas a candidaturas estaduais e federais para o fortalecimento da produção de alimentos sem agrotóxicos. A apresentação ocorreu durante reunião da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, com foco em inserir a soberania alimentar e a sustentabilidade no centro do debate político do país.
O conjunto de medidas sugere ações específicas para os poderes Executivo e Legislativo a partir do próximo mandato. Entre os pontos defendidos pela organização estão a proibição da pulverização aérea de defensivos químicos, a criação de zonas livres de transgênicos e o aumento da taxação sobre agrotóxicos. O texto também atua como um guia para que eleitores avaliem o alinhamento dos candidatos com a justiça social e a preservação ambiental de territórios tradicionais.
“Nosso objetivo é trazer para o centro do debate eleitoral, no diálogo com a sociedade e também com candidatas e candidatos, a urgência e a necessidade de afirmar a agroecologia como estratégia política de transformação social, que fortaleça a produção de alimentos saudáveis e a justiça social e climática para toda a população, o que só será possível com democracia” , explica Sarah Luiza Moreira, integrante da equipe nacional da iniciativa.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, ressaltou no evento que o período eleitoral define o sistema de abastecimento e as prioridades agrícolas nacionais para os próximos quatro anos. Segundo dados da entidade promotora, o atual modelo agroalimentar industrial responde por 70% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. A organização contesta incentivos fiscais concedidos ao setor de larga escala e critica mecanismos como créditos de carbono e megaprojetos de energia renovável.

No evento, Sarah Luiza abordou a importância de definir a agroecologia como movimento, ciência e prática, que constrói sistemas alimentares justos e igualitários, e que promove relações equitativas com a natureza. Ela alertou para a confusão conceitual com termos como agricultura regenerativa e bioeconomia, que podem esvaziar o sentido da agroecologia e defendeu que a agroecologia só é possível em um contexto democrático.
“É por isso que a Articulação Nacional de Agroecologia está desenvolvendo a quarta edição da iniciativa Agroecologia nas Eleições. Nesse contexto, a iniciativa busca colocar a soberania alimentar, a justiça climática e a produção de alimentos saudáveis para os povos do campo e da cidade na centralidade do debate do debate político, no diálogo com a sociedade, mas também com os candidatos e candidatas que estão pleiteando as eleições”, afirmou Sarah Luiza.
Esta configuração marca a quarta edição da campanha institucional voltada aos pleitos eleitorais no Brasil. O plano de ação da entidade prevê a publicação de um estudo técnico para analisar o andamento de normativas e políticas públicas geridas pelo Congresso Nacional e pelo Governo Federal nos últimos quatro anos. O diagnóstico final servirá de subsídio para coletivos de agricultores familiares, extrativistas, povos indígenas e comunidades quilombolas cobrarem o cumprimento de metas de transição ecológica.
