O terceiro dia do Rio2C 2026 movimentou a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, consolidando o Brasil como um dos polos mais maduros e estratégicos para o mercado audiovisual global. Em meio a debates profundos sobre o papel humano na era da hiperinformação e da inteligência artificial, os holofotes do GlobalStage se voltaram para as lideranças do streaming internacional, que foram categóricas: o futuro do setor depende da força das identidades locais.
A força do conteúdo local no streaming global
A manhã começou com uma forte defesa da descentralização da produção de conteúdo. Paco Ramos, Vice-Presidente de Conteúdo da Netflix para a América Latina, destacou a maturidade do mercado brasileiro e elogiou o modelo de coprodução da plataforma, apontando que histórias com DNA local têm poder de conexão global.
Essa relevância da América Latina foi reiterada por Eric Schrier, Presidente de Direct-to-Consumer International Originals do Disney+. Em um bate-papo com a cineasta Marina Person, Schrier enfatizou o critério refinado da companhia no Brasil, reforçando que o público do país exige produções de alta qualidade e com forte apelo cultural.
O riso como linguagem universal: “Friends” encontra “Porta dos Fundos”
Um dos momentos mais aguardados e históricos do dia reuniu o ator Fábio Porchat e o roteirista norte-americano Adam Chase, conhecido por seu trabalho na lendária série “Friends”. No palco, a dupla comparou os bastidores criativos do sitcom norte-americano e do coletivo brasileiro “Porta dos Fundos”. A sessão investigou o riso como uma ferramenta universal, capaz de derrubar barreiras geográficas e conectar públicos de diferentes nacionalidades por meio da comédia.
Modelos de negócios e telas em 2030
Olhando para o futuro próximo, o painel focado no cenário de 2030 reuniu as mentes mais brilhantes do mercado de telas nacional: Elisabetta Zenatti (Netflix Brasil), Julia Rueff (Globoplay), Patricia Muratori (YouTube América Latina) e Renata Brandão (Conspiração Filmes). O debate estratégico girou em torno da sustentabilidade das plataformas, destacando a transição para novos modelos de assinaturas híbridas e gratuitas, além da flexibilidade necessária no licenciamento de conteúdo para os próximos anos.
Diversidade de gêneros e democratização do acesso
O dia também reservou espaço para a celebração e a reflexão social. No Writers Room, a atriz Eliane Giardini juntou-se a roteiristas e diretoras no painel “O Amor Está no Ar: a Nova Comédia Romântica” para debater o forte ressurgimento deste gênero nas plataformas brasileiras.
Já no palco MinC Conecta, a discussão ganhou um tom de política pública e inclusão. Ao lado de Antonia Pellegrino, o painel “Audiovisual em Toda Parte: Experiências de Promoção, Formação de Público e Direito de Acesso à Produção Brasileira” mapeou caminhos práticos para democratizar o acesso ao cinema e à televisão no país, garantindo que a produção nacional alcance todas as parcelas da população.
Com uma programação que uniu a alta cúpula dos negócios globais à pluralidade cultural brasileira — incluindo a presença de ícones como Zeca Pagodinho, Regina Casé e Margareth Menezes —, o Rio2C 2026 reafirma que o ecossistema criativo do Brasil está pronto para ditar as regras dos próximos anos.
