Uma das maiores e mais inusitadas crises policiais da história do Brasil ganha as telas do cinema. Estreia no dia 5 de novembro o longa-metragem “Assalto à Brasileira”, dirigido pelo experiente cineasta José Eduardo Belmonte (Alemão, Carcereiros) e roteirizado por L.G. Bayão (Heleno, Maníaco do Parque). Produzido pela Galeria, Santa Rita Filmes e Grupo Telefilms, o filme reconstitui o célebre assalto à agência central do Banestado em Londrina (PR), ocorrido em 10 de dezembro de 1987, que manteve centenas de reféns sob os holofotes de toda a mídia nacional.
O longa chega ao grande circuito chancelado por uma recepção calorosa da crítica e do público, tendo conquistado três prêmios no Festival de Brasília: Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Filme pelo Júri Popular, além de acumular passagens elogiadas pela Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e pelo Festival de Cinema Brasileiro de Paris.

Tensão, jornalismo e o apoio inesperado do povo
A trama acompanha a história de Paulo (Murilo Benício), um repórter recém-demitido que enxerga no cerco ao banco a oportunidade perfeita de cravar o maior furo jornalístico de sua carreira. Ele decide se arriscar e entra na agência para intermediar o contato entre as autoridades externas — lideradas pelo oficial Fonseca (Paulo Miklos) — e os assaltantes, comandados pelo obstinado Moreno (Christian Malheiros).

O roteiro de Bayão capta a atmosfera socioeconômica caótica do Brasil do final da década de 1980, um período sufocado pela hiperinflação e pela recessão. É sob esse pano de fundo que o crime ganha contornos tipicamente tropicais: cansada do cenário econômico, a população de Londrina passa a cercar as ruas não para condenar, mas para aplaudir e demonstrar uma simpatia aberta pelos criminosos, transformando o assalto em um espetáculo midiático e popular. O elenco estelar conta ainda com atuações de peso de Robson Nunes e Fernanda de Freitas.
