O cineasta Gabriel Mascaro e a produtora Paula Cosenza anunciam os próximos filmes e séries da TREMA, nova produtora audiovisual sediada no Recife. A empresa inicia suas atividades voltada a coproduções internacionais, séries de ficção e obras autorais com potencial de circulação global, articulando o prestígio conquistado pelo cinema pernambucano com estruturas concretas de financiamento e produção.
O surgimento da produtora caminha junto a um cenário de forte projeção internacional do cinema realizado na capital pernambucana, recentemente destacada pela revista Variety como um dos principais polos da produção brasileira contemporânea — movimento impulsionado, inclusive, por realizadores como o próprio Mascaro. A TREMA nasce com a missão de usar esse prestígio para conectar parceiros estrangeiros e privados, injetando esse investimento diretamente na economia criativa pernambucana.
Nascido e radicado no Recife, o diretor embarca na nova empreitada após o reconhecimento de “O Último Azul”, vencedor do Urso de Prata (Grande Prêmio do Júri) na Berlinale de 2025.
“É uma alegria poder fortalecer a produção audiovisual no Nordeste, lugar onde nasci, cresci e sempre vivi. Queremos transformar a projeção simbólica conquistada pelo cinema pernambucano em estruturas concretas de produção, financiamento, desenvolvimento, parcerias com plataformas e intercâmbio de talentos”, afirma Gabriel Mascaro.
Paula Cosenza agrega à parceria sua trajetória na produção e distribuição audiovisual, com filmes como “Casa de Antiguidades” (selecionado para Cannes e San Sebastián), “Tropicália” (apresentado em Telluride) e “Ausência” (exibido na Berlinale), além de colaborações com Netflix, Disney, Warner/HBO e outras plataformas.
“Trabalhar em parceria com tantos talentos que admiro é uma alegria e uma honra. E não falo apenas de talentos na direção, falo de toda a cadeia de produção. A ideia é também atrair produções de outros países e regiões para esta colaboração”, pontua Paula Cosenza.
Um catálogo entre festivais e novos públicos
Atuando na criação, em parcerias nacionais e internacionais e na produção, a TREMA estrutura um catálogo que transita entre obras de forte apelo em festivais internacionais e títulos que buscam conexão com novos públicos, plataformas e nichos de gênero.
Entre os destaques em diferentes etapas de desenvolvimento estão o novo longa-metragem de Gabriel Mascaro — ainda sem detalhes revelados — e as coproduções internacionais “Três Noches Negras”, de Théo Court, em parceria com El Viaje Films (Espanha), Quijote Films (Chile) e Varios Lobos (México); “Rafael”, de João Paulo Miranda Maria, com a francesa Les Valseurs; e “Arca”, de Matías Bize, com a MariaWood Producciones (Chile) e a Potenza Producciones (Espanha). Este último inaugura o fundo de financiamento da TREMA, estruturado a partir da combinação de investimentos públicos e privados para impulsionar coproduções brasileiras majoritárias e minoritárias.
A carteira da produtora inclui ainda “Paula e Hortência”, de Joca Georgia Guerra-Peixe — sobre as renomadas jogadoras de basquete, em coprodução da brasileira Café Royal com a norte-americana Belladona —; “Oásis”, série limitada baseada em um caso real ocorrido na Praia do Futuro, no Ceará, com direção de Gabriela Amaral Almeida e Armando Praça, e coprodução com as brasileiras Carnaval Filmes e Desvia e a portuguesa Coral Europa; “100 Dias”, de Carlos Saldanha, sobre o navegador Amyr Klink, em coprodução com Ventre Studio, Boipeba Filmes, O2 Filmes, Total Post, Good Hand e BVI/Disney; e “A Grande Castração”, de André Antônio e Rodrigo Almeida, com Surto e Deslumbramento, Zebra Filmes e Desvia.
O significado do nome
O próprio nome sintetiza a proposta do negócio: TREMA deriva do sinal gráfico de mesmo nome (¨), utilizado em diversos idiomas para indicar a independência de uma vogal. Em português, a palavra também remete ao verbo “tremer”, evocando movimento, ruptura e transformação. A TREMA se define como uma produtora independente dedicada a filmes e séries com uma visão autoral singular, que desafia a maneira como vemos, sentimos e compreendemos o mundo.
