Uma festa de família, cinco personagens improváveis e uma câmera registrando tudo. É a partir dessa combinação que REVELAÇÃO, novo curta-metragem de Gabriela I. Gaia, constrói uma comédia afiada sobre festa, o mercado de influenciadores digitais, identidade, raça, gênero e pertencimento no Brasil contemporâneo. O filme estreia na Mostra Competitiva de Curtas-Metragens do 54º Festival de Cinema de Gramado, em 20 de agosto, e contará com a presença especial de toda equipe e elenco disponíveis para entrevistas.
O enredo acompanha os bastidores de um chá revelação coordenado por uma empresa especializada e patrocinado por plataformas de apostas virtuais. A história tensiona as relações de trabalho entre uma empresária e Cris, personagem negra e não binária interpretada por Lorre Motta, contratada por Adriana (Stella Rabello), mulher branca e sem noção que comanda a REVEAL, suposta primeira empresa brasileira especializada em chás revelação de gênero.
A estrutura narrativa simula a descoberta de um disco rígido em ruínas arqueológicas no futuro, revelando arquivos de vídeo gravados durante o período atual. O modelo de filmagem mescla elementos de ficção com a linguagem documental para ironizar o comportamento de usuários que transformam o cotidiano em conteúdo digital.
A obra marca o encerramento da “Trilogia do Encontro”, projeto de desenvolvimento colaborativo iniciado pela diretora com os títulos “Afeto”, em 2019, e “Escasso”, lançado em 2022. O processo de produção foca no deslocamento de personagens de grupos historicamente vulnerabilizados de cenários de drama para o campo da comédia.
Curtas-metragens independentes produzidos fora das grandes produtoras comerciais enfrentam janelas de exibição restritas em circuitos de salas de cinema tradicionais no país. A circulação por festivais de prestígio e mostras internacionais funciona como o principal canal de distribuição e escoamento de obras de ficção científica e sátira política.

“Quis partir da festa — essencial para sociabilidade das famílias de subúrbio, como a minha — para perguntar: o que acontece quando os rituais celebram e, ao mesmo tempo, traem uma vida em formação? Como nos meus outros filmes, há aqui o interesse pela câmera como personagem e pela sensação de se sentir estrangeiro no próprio mundo. É pela festa, e pelas frestas contraditórias dela que REVELAÇÃO caminha”, afirma a diretora.
O projeto audiovisual foi executado por meio de uma coprodução internacional entre empresas cinematográficas do Brasil e da França, com elenco composto por profissionais periféricos. Após a exibição em Gramado, o título integrará a programação oficial do 37º Festival Internacional de Curtas de São Paulo – Kinoforum.
