O Ministério das Mulheres e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) lançaram a chamada pública para a segunda edição do Programa Asas para o Futuro. A iniciativa recebe inscrições de Institutos Federais (IFs) e Universidades Federais (UFs) até o dia 10 de agosto de 2026. Com investimento de R$ 7,552 milhões, o edital visa selecionar propostas institucionais para qualificar 3.520 jovens mulheres em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
O edital apoiará até 32 propostas em todo o país, divididas igualmente entre os blocos regionais Norte/Nordeste e Sul/Sudeste/Centro-Oeste. Do total de projetos selecionados, 21 serão executados por Institutos Federais e 11 por Universidades Federais. O público-alvo são mulheres de 15 a 29 anos em situação de vulnerabilidade socioeconômica, com prioridade para negras, indígenas, quilombolas, transexuais, pessoas com deficiência, moradoras de periferias ou da zona rural.
Joana Célia dos Passos, secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, destacou que o Asas para o Futuro é uma estratégia para ampliar o acesso de jovens mulheres à qualificação profissional e fortalecer sua presença em áreas ainda marcadas por desigualdades de gênero, raça e território. Segundo ela, a primeira edição do programa qualificou 1.400 jovens em 25 tipos de cursos, em áreas que vão da logística à fotografia.
“Os institutos estão em territórios de muita vulnerabilidade social. Isso também é uma estratégia para chegar mais próximo do nosso público, dessas mulheres, das mulheridades, das diferentes formas de ser mulher”, explicou Joana Passos.
Ela ressaltou que a iniciativa busca articular qualificação profissional, acesso a políticas públicas e inserção no mundo do trabalho, considerando as necessidades dos territórios onde as jovens vivem e atuam.
“Trabalhamos para que elas não tenham apenas cursos de qualificação, mas também uma discussão sobre o papel das políticas públicas, como elas podem acessar essas políticas e quais necessidades existem no território em que atuam. Elas recebem uma bolsa de R$ 300 para permanecer no curso, além de um kit com os equipamentos necessários para continuar, por um ano, atuando na formação que realizaram”, afirmou.
As capacitações terão carga mínima de 200 horas, distribuídas em 160 horas de qualificação profissional específica e 40 horas de formação sociopolítica. Como estratégia de permanência nas atividades, as alunas selecionadas pelas instituições receberão uma bolsa mensal de R$ 300 pelo período de quatro meses. A primeira edição do programa atendeu 1.400 jovens em 25 formatos de cursos diferentes, de acordo com dados da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica.
A chamada pública integra um pacote de cinco editais voltados à equidade de gênero e étnico-racial na ciência, que somam R$ 65 milhões em investimentos. O conjunto de ações envolve os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Igualdade Racial e da Educação, além da Capes, Instituto Rio Branco e Petrobras. Entre as demais frentes anunciadas estão o Projeto InspirAÇÃO e o Programa Lélia Gonzalez.
As instituições de ensino superior e técnico interessadas em submeter projetos devem acessar o edital completo diretamente na plataforma oficial de chamadas do CNPq.
