Uma iniciativa inovadora na rede pública de ensino da Bahia acaba de conquistar destaque em todo o país. A professora Tamiles Pires da Silva, do Colégio Municipal Elzita Ribeiro Vieira, localizado em Lapão, na Chapada Diamantina, é uma das grandes vencedoras do prêmio nacional Global Goals Educa – Conectando para Transformar Vidas. O reconhecimento veio por meio de um projeto de robótica e agroecologia na escola que une preservação ambiental, tecnologia e segurança alimentar.
O programa nacional é realizado pela NTICS Projetos e conta com o patrocínio da Áster. Desde 2024, a ação já capacitou mais de 32 mil educadores brasileiros para criarem soluções alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta edição, apenas dez professores de sete estados foram premiados, colocando a educação pública baiana no topo do pódio.
Horta escolar e agroecologia: da produção direta para a cantina
O projeto de robótica e agroecologia na escola nasceu após um diagnóstico crítico realizado pela professora junto aos alunos de Lapão. O grupo identificou a urgência de debater problemas ambientais reais da Chapada Diamantina, tais como:
- O impacto do uso de agrotóxicos na região
- A necessidade de preservação do lençol freático local
- A redução da geração de resíduos no ambiente escolar
- A melhoria da qualidade do ar no município
Com o eixo da agroecologia definido, os estudantes colocaram as mãos na massa com o cultivo de uma horta orgânica. Eles aprenderam sobre manejo sustentável do solo, ciclos de produção e alimentação saudável. O impacto prático foi imediato: os alimentos colhidos passaram a abastecer diretamente a cantina do colégio, transformando a relação dos jovens com a comida.
“Hoje, os alunos entendem melhor de onde vem o alimento, participam do processo e se envolvem de verdade com o que consomem”, afirma a professora Tamiles Pires da Silva.
Como a robótica sustentável impulsiona a inovação pedagógica
Além do trabalho no campo, a tecnologia ganhou espaço na sala de aula de forma consciente. Na disciplina de robótica, os estudantes passaram a reaproveitar materiais recicláveis para construir protótipos e ferramentas tecnológicas aplicadas ao cotidiano.
A proposta transbordou para outras áreas do conhecimento:
- Artes e Literatura: Criação de cartazes, textos e campanhas de conscientização sobre os ODS da ONU.
- Integração Comunitária: Realização de eventos e oficinas abertas para envolver as famílias de Lapão nas práticas sustentáveis da escola.
Para Ana Xavier, CEO da NTICS Projetos, a resposta da comunidade valida a metodologia. “A proposta é colocar o professor como protagonista e agente de transformação. O projeto de Lapão mostra como essa abordagem gera impacto concreto e reverbera em todo o território”, avalia.
Premiação nacional garante imersão ambiental em Bonito (MS)
Como reconhecimento pelo excelente desempenho no cenário educacional brasileiro, os dez professores premiados participaram de uma viagem de imersão pedagógica para Bonito (MS), um dos principais polos de ecoturismo e preservação ambiental do planeta. A experiência funcionou como uma extensão prática dos projetos, expandindo o repertório dos docentes para novas aplicações em sala de aula.
O investimento e o apoio a essas iniciativas são vistos pela iniciativa privada como um pilar essencial para o desenvolvimento do país. Luiz Piccinin, presidente da Áster, destaca que a responsabilidade socioambiental deve ser compartilhada. “A sociedade civil tem a possibilidade de se movimentar para encontrar soluções coletivas. Começar pelas escolas, na nossa visão, é um dos melhores caminhos”, conclui.
