Movimentos sociais, redes e organizações populares de todo o mundo ser reúnem nesta quarta-feira (12), às margens do Rio Guamá, em Belém (PA), para a abertura da Cúpula dos Povos. Em uma agenda que se estende até o dia 16 de novembro, o encontro deve reunir, na Universidade Federal do Pará, milhares de pessoas com o objetivo de trazer perspectivas sociais e ambientais em encontros paralelos à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
A barqueata começará na Universidade Federal do Pará (UFPA), território da Cúpula dos Povos, e seguirá margeando o rio Guamá que depois vira rio Guajará para chegar até a Vila da Barca, área de palafitas que é um enclave social, pois, parte das moradias vive sem nenhum saneamento. São décadas de resistência dos moradores à especulação imobiliária e falta de atenção do poder público. A expectativa é sair de quatro portos próximos à UFPA e navegar por cerca de duas horas, tempo médio que leva em consideração a força da maré.
“Estamos alinhados e achamos que vai ser histórico!”, diz Iury Paulino, membro da Comissão Política da Cúpula dos Povos e coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). O barramento dos rios está entre as ações corporativas e infraestruturas denunciadas por causarem impactos que cada vez mais contribuem para a crise climática como mudança no curso das águas, assoreamentos, extinção de espécies, inundações de áreas que antes eram de floresta e expulsão de comunidades guardiãs de práticas de preservação.
Esses impactos também são enfrentados pelos pescadores que mantém histórica relação cultural com o mar. Ribeirinhos e pescadores de todo o mundo sofrem diretamente com as contaminações dos rios e áreas costeiras causadas pela exploração mineral e pelos vazamentos de produtos químicos. No Brasil, os rompimentos das barragens da Vale em Mariana (2015) e Brumadinho (2019) provocaram centenas de mortes, destruição de comunidades e graves danos ambientais, contaminando rios e ecossistemas. No Equador, o rompimento do oleoduto SOTE, operado por uma estatal, fez vazar petróleo no Esmeraldas River, em março de 2025, e despejou mais de 25.000 barris de crude, contaminando água potável, rios e comunidades costeiras.
A cerimônia de abertura oficial da Cúpula dos Povos será às 17h no palco montado na UFPA. Ao longo da programação estão previstos debates sobre soberania alimentar, transição energética, enfrentamento ao extrativismo fóssil, governança participativa, racismo ambiental, direito à cidade e mitigação e adaptação das cidades com interseccionalidade de gênero, raça, classe e território.
Com informações da Agência Brasil e Cúpula dos Povos


